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Textos Críticos

Maria Martins - A arte tal como a Vida é um milagre.
30/11/1967







A arte tal como a Vida é um milagre.

Miguel Rio Branco nasceu em Las Palmas, na bela ilha das Canárias, Espanha, em 1946 e nasceu artista.

Como todo filho de diplomata viveu por este mundo afora e muito pouco no Brasil. Com dezessete anos realizou sua primeira exposição individual em Berna, na Galeria Anlikerkeller, participou pouco mais tarde em New York de diversas mostras coletivas: na Sawdust Gallery, na Columbia University, no Chase Manhatan Bank, sempre com muito êxito e vendendo muitas de suas telas ambicionadas por colecionadores.

Bisneto do grande Rio Branco dele herdou a inteligência clara e aguda e a capacidade do “conhecimento”. Neto de J. Carlos, talvez o único brasileiro que nos idos de 1900, viveu só e unicamente de seu lápis, dele vem certamente a finura do traço e o "sense of humour".

É um autodidata. Hoje nos mostra seus desenhos, de qualidade extraordinária e diferentes de quaisquer outros. Esperemos para breve uma exposição de suas telas a óleo que as tem e de requisitos do mesmo nível difíceis de se encontrar.

A grande característica de seu trabalho é sua vontade de domínio da matéria, sua capacidade de obrigá-la á ação. Não a quer, não o aceita como veiculo passivo, portador de sensações a ela estranhas. Procura pertinazmente sua natureza intima, obriga-a a falar, a nos contar o que por detrás dela se esconde.

Miguel sabe que a obra de Arte só atinge a universalidade quando se consagra, quando se propõe a provar, sem discussão, as possibilidades inerentes a tonta e qualquer forma e demonstrar então realidades desconhecidas, inexplicáveis e imperceptíveis mas que se tornam milagrosas e repentinamente visíveis e sensíveis com a misteriosa interpretação dos sinais, dos mitos ocultos e carregados de conteúdo transcendente.

Miguel sabe que a Arte só perdura quando culmina com a certeza de que nada é inútil, que cada coisa mesmo infinitesimal possui sua linguagem própria, compreensível e decifrável, suscetível de ser ouvida quando repercute em intima emoção humana.

O que constitui já a riqueza de sua obra, apesar de sua juventude, é a escala colorida absolutamente nova e fascinante empregada em suas telas, é sua originalidade de criador autêntico.

Seus desenhos guardam aliados à pureza das linhas, um erotismo sadio um despojamento de detalhes inúteis e um calor humano, oriundo de profunda vida interior, mas refreado, subjugado, qualidades raras em artista tão jovem. Sua obra prenuncia o lugar perene que ocupará seguramente na História da Arte moderna universal.

MARIA MARTINS